Thursday, November 26, 2009

A NOSTALGIA DA SAUDADE ... ?



O que de facto sentimos em relacção ao passado, neste caso concreto, sobre a nossa passagem por terra de Moçambique que poderá ser? SAUDADE? Esse sentimento humano da nostalgia, bem caracterizado por este vocábulo bem lusitano! Que estará por detrás de tudo isto? Por certo, a nostalgia do tempo da tropa: o camuflado trasando a suor e terra, o corpo embrenhado em sangue, suor e lágrimas, a estúpida ordem unida, a alimentação empastelada e grunhida pelos començais, o "IN" espiando camuflado na mata, o nervoso miudinho preste esplodir a cada instante, a desejada espera do aerogramo proveniente da Metrópole, as "bocas rafeiras" projectadas contra o comando institucionalizado, ... etc, ... etc, ... ! O que parece termos é uma virose de nostalgia. A tal saudade de sermos novos, ainda que impotentes perante os ministeriais desmandos burocráticos emanados pelos senhores da guerra. Talvez o poema do Nobel polaco, Czeslaw Milosz, CAMPO DEI FIORI, tente explicar o sentir inexplicável: "Nesse dia só pensei / Na solidão do morrer." E o som da metralha continua zunindo no subconsciente, enquanto não chega a hora da despedida.