Saturday, January 07, 2006

SÁBADO, 12 DE JANEIRO DE 1974

O dia amanheceu claro. Algumas nuvens brancas, muito brancas, cruzavam o firmamento azul. Há quem prediga sinais de ventania.
De manhã, o quartel recebeu a visita do comandante da ZOT. O homem fartou-se de desancar na Companhia, em consequência do sucedido no dia 30 do mês passado. Pois, pois, nos gabinetes dos generais do ar condicionado não há emboscadas! Deixou a informação que a nossa coluna vai passar a ir só até Capirizange.
O sargento de dia foi chamado à porta da guerra pela sentinela de serviço. Uma graciosa mulata, desfilando os dentes esbranquiçados a todo o comprimento do seu doce sorriso, veio trazer um cabaz de fruta. Mais abacaxis do que ananases. Apresentada ao oficial da casa, Olinda, de seu nome, as dezasseis primaveras palmilhadas no pó da velha picada, espelhando a frescura da imagem da juventude feminina, aprestou-se a oferecer os seus valiosos préstimos à tropa, a troco de algumas quinhentas para comprar comer. Logo, ali, após um curto lanche matinal, ficou consertado que tratará da roupa do “Sor Alferes e dos Sores Furriéis”.
À tarde, cinco militares, em patrulha, aventuraram-se por terrenos humanizados e regressaram abastados com um porco, um cabrito e três galinhas. Tudo conquistas num aldeamento, algures perdido na densa mata. Avizinham-se faustos banquetes.Ao cair da noite choveu. Grandes bátegas encheram os bidões destinados à captação de água. Todo o grupo aproveitou a dádiva da natureza e, em pelota, retemperou-se com um valente duche, oferta do Criador.


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